Assistimos, no Centro Cultural Olga Cadaval, ao espetáculo de dança "Rodopios" apresentado pelo Grupo “Nossas Danças” e apoiado pela Câmara Municipal de Sintra.
O espetáculo inserido no ciclo temático “A Música Também Dança” da Camara Municipal de Sintra, visa promover e potenciar o diálogo entre a música e a dança, interpretada ao vivo com coreografia desenhada para a obra, num formato menos habitual e com curadoria artística de Solange Melo e Fernando Duarte.
Depois do grande êxito do espetáculo "Reviravoltas", o novo projeto "Rodopios" do Grupo Nossas Danças, integrado por ex-bailarinos da CNB, aborda as danças dos Pauliteiros, Açores, Madeira e Algarve de uma forma livre e contemporânea, despindo-se do rigor tradicional.
Durante 60 minutos fomos contagiados com a alegria do som das guitarras e dos acordeões, onde braços e mãos erguidas se juntam e se separam em voltas e reviravoltas.
SIGAM AS FLORES…
Gritos de pássaros saúdam-nos num chilreio de árvores, penas e céu.
Cuidado com o fogo vermelho do Careto, envolto em chocalhos e máscaras de espanto, para nos pregar sustos de morte.
Um amolador de tesouras, facas e almas, lança o seu pregão, numa agonia lenta de pasteleira. Cuidado que com ele vem a chuva, dizem. Entretanto, uma manta de retalhos coloridos vai, lentamente, descendo do céu à terra.
Surgem os Pauliteiros, fantasmas brancos, a toque de caixa e bombo, numa vertigem de botas e lençóis bordados e antigos, das suas avós, num combate de toques de madeira a quebrar.
Brinquedos de feira, espreitando, pé ante pé, o colorido das meias e botas de lã. Ai, ponha aqui, ponha aqui o seu pezinho, devagar, devagarinho… se dança o twist! Num tingo, lingo, lingo, a nova dança em Portugal, já dizia o Max, num brinquinho.
Da Madeira ao Algarve, passando pelos Açores, das ilhas de bruma, das ondas humanas, onde se empurram cestas humanas, nas ladeiras da vida e pelas encostas do nada, às quadras do Aleixo, alma algarvia: dizem que pareço um ladrão, mas há outros que eu conheço, que não parecendo o que são, são aquilo que eu pareço. Pois não!
Mas como esquecer os cestos aos ombros oferecidos em dádivas de mágoas, os intensos exercícios de musculação e o cheiro das laranjas amargas lançadas ao ralenti pelo chão, para nosso divertimento até ao trovão final e chuva a rodos.
Num cenário caleidoscópico de tecidos quentes, passam à nossa frente, malhas, gorros, óculos escuros, saias coloridas e lenços nas cabeças. Por favor, brinquem ao eixo e saltem ao pé-coxinho. Por favor, dancem em preces de palmas e castanholas. Por favor, sigam as flores. Ficarão assim perto da perfeição. Fonte: Grupo Nossas Danças


Comentários
Enviar um comentário