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Exposição "O Tesouro dos Reis"

Visitámos a exposição "O Tesouro dos Reis" Obras-primas do Terra Sancta Museum que esteve patente na Galeria Principal da Fundação Calouste Gulbenkian.


Esta exposição mostrou o extraordinário e pouco conhecido tesouro artístico do Terra Sancta Museum, composto de doações realizadas por monarcas católicos europeus a várias igrejas daquele território ao longo de 500 anos, que viajou pela primeira vez de Jerusalém para Portugal.

De entre estes templos, a Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, assume o maior protagonismo. Na tradição cristã, este é o local da morte, sepultamento e ressurreição de Jesus de Nazaré. Considerando esta centralidade espiritual, o envio de ofertas para este e outros templos da Palestina representava, para estes príncipes, uma importante projeção da sua devoção e do seu poder.

Assim, diversos soberanos europeus, como Filipe II de Espanha, Luís XIV de França, João V de Portugal, Carlos VII de Nápoles ou Maria Teresa de Áustria, enviaram recursos materiais e financeiros destinados ao sustento das igrejas e comunidades locais, tais como moedas de ouro, cera e, também no caso português, bálsamos, perfumes, especiarias e chá.



Para além destes recursos de caráter efémero, foram igualmente alvo da generosidade destes monarcas obras artísticas de ourivesaria, têxteis e mobiliário, com o objetivo de serem utilizados no culto e na ornamentação dos espaços religiosos.

Esta exposição teve, pois, como tema central estas doações, que incluíram notáveis produções da arte europeia. A lâmpada de igreja remetida para Jerusalém pelo rei de Portugal, D. João V, e o baldaquino que acolhia uma custódia ou um crucifixo, doado por Carlos VII, rei de Nápoles, são exemplos eloquentes das estratégias políticas de ofertas então desenvolvidas.


A exposição propôs ainda um percurso pela história milenar e pelo simbolismo espiritual da Basílica do Santo Sepulcro, bem como pelo papel desempenhado pela Custódia da Terra Santa – a instituição católica franciscana responsável por zelar pelos lugares cristãos na Terra Santa – na receção, utilização e preservação destes objetos de culto católico.

A ligação de Calouste Gulbenkian à Terra Santa foi também evocada na exposição, que revelou o vínculo de longa data da sua família a este lugar e deu a conhecer um manuscrito iluminado arménio do século XV oferecido pelo colecionador ao Patriarcado Arménio de Jerusalém. Apresentado aqui pela primeira vez, este manuscrito foi doado na década de 1940, quando Gulbenkian já residia em Portugal.

 Exposição com muito interesse e muito bem documentada. Ao ver esta exposição fica-nos o pensamento de como é também muito importante preservar o património num tempo tão conturbado de guerra que põe em causa para além das vidas humanas o património.



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