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Fim de semana no Alentejo

Escolhemos o Alentejo para passar o fim de semana do dia de Santo António.


Para estadia a escolha foi o Hotel Convento de São Paulo na Aldeia da Serra, Redondo. Este hotel situado na Serra D'Ossa, além de ser um monumento com imensa vegetação evolvente é um autêntico paraíso nesta região alentejana.

Iniciámos a viagem no sábado seguindo para Montemor-o-Novo passeámos um pouco pelo Castelo, estava um dia quente e era o local onde corria uma brisa agradável. Tínhamos marcado para almoçar no restaurante "A Ribeira" onde a ementa é sempre cantada pelo proprietário o Sr, Carlos. uma particularidade engraçada. O restaurante é simples, a comida é caseira e fomos bem servidos.

Montemor-o-Novo - Restaurante A Ribeira

Para este dia tínhamos também marcado uma visita à Gruta do Escoural na freguesia de Santiago do Escoural, que não conhecíamos.

Gruta do Escoural

Santiago do Escoural é uma freguesia do concelho de Montemor-o-Novo, distrito de Évora. Diz-se que o nome desta freguesia advém do seu fundador, que pertenceria à ordem de Santiago. Mais tarde ter-lhe-iam acrescentado "do Escoural" ao nome, retirando a ideia das escoriações de minérios, descobertos nos arredores.

Situada na Serra do Monfurado, esta freguesia abriga a Gruta do Escoural, a única na Europa conhecida pela arte rupestre paleolítica. A cavidade é composta por várias salas e galerias. Além disso, é parcialmente obstruída por estalagmites. A primeira ocupação da gruta remete ao Paleolítico Médio, usada por grupos de caçadores-coletores neandertais como abrigo na prática da caça.

A Gruta do Escoural é o ponto fundamental do sítio arqueológico do Escoural, situada na Herdade da Sala, no bonito concelho Alentejano de Montemor-o-Novo, freguesia de Santiago do Escoural, constituindo mesmo a única caverna conhecida até agora no País com gravuras e pinturas rupestres datadas do Período Paleolítico Superior.

A Gruta é constituída por várias salas e galerias que serviram populações há cerca de 50.000 anos, que ilustraram o seu interior com cenas do seu quotidiano.

A Gruta do Escoural foi descoberta em 1963, através da exploração de mármore na Herdade da Sala, ao encontrar neste espaço diversas ossadas humanas e outros vestígios arqueológicos.

Está classificada como Monumento Nacional desde Outubro de 1963.


A Gruta do Escoural na National Geographic

“A cerca de cinco quilómetros de Santiago do Escoural, no concelho de Montemor-o-Novo, localiza-se a gruta do Escoural, um dos santuários mais exuberantes da arte parietal pré-histórica em Portugal.

Foi descoberta acidentalmente em 1963 e acompanhou as próprias vicissitudes do estudo arqueológico em Portugal. Estudada em início de carreira pelo arqueólogo Farinha dos Santos, que se ocupou da escavação da necrópole neolítica no seu interior, despertou em 1965 o interesse do abade Glory, estudioso de Lascaux, que publicou em França um estudo notável, apesar de apenas ter estado três dias na região.

Um projecto de documentação foi travado pela morte de Glory em 1966 e, apesar de descobertas pontuais de novos signos, a gruta só voltou a ser investigada após 1977, quando Farinha dos Santos, Jorge Pinho Monteiro e Mário Varela Gomes conduziram trabalhos no local, incluindo escavações num povoado da Idade do Cobre existente sobre a gruta, permitindo a descoberta de um conjunto de gravuras datadas do Neolítico.

João Luís Cardoso, entretanto, estudou a fauna paleontológica que ocupou a cavidade, encontrando vestígios de hiena e leão-das-cavernas. Após 1989, António Carlos Silva, M. Otte e Ana Cristina Araújo dirigiram novos trabalhos de escavação, confirmando uma primitiva ocupação do local pelo homem de Neanderthal e identificando novas expressões artísticas. O último trabalho de fôlego no Escoural não foi científico: a requalificação do espaço pelo arquitecto Nuno Simões, há muito necessária, melhorou as condições de visita desta câmara de acesso ao Paleolítico Superior e ao epipaleolítico.

A investigação, entretanto, tem novas fronteiras: conseguirá a tecnologia no futuro datar com mais precisão o impressionante conjunto artístico do Escoural?”


Depois da visita à gruta seguimos para Redondo para a nossa estadia no Hotel Convento de São Paulo.

Redondo - Hotel Convento de São Paulo

Depois de nos indicarem o nosso quarto fomos conhecer este monumento. Percorrendo as vária salas ficámos deliciados com este espaço é realmente sem dúvida um espaço histórico. Para além do espaço que é a simpatia dos funcionários foi impecável, também se notou os cuidados com a limpeza, estava tudo impecável.

Redondo - Hotel Convento de São Paulo

Depois deste reconhecimento fomos petiscar a Redondo, que já conhecemos bem, estivemos em Agosto de 2019 na Festa das "Ruas Floridas".


Redondo

De acordo com a tradição popular, a fundação da vila de Redondo, uma vila a 35 km de Évora, está ligada ao título lendário de "Penedo Redondo", um penedo que existia na muralha medieval original.

Foi outrora um ponto obrigatório de escala para viajantes de Évora, Vila Viçosa e Alandroal. Por isso seguindo o costume antigo, passem por lá no domingo e deleitem-se com os seus vinhos, azeites, mel, enchidos e olarias.

Em Redondo há muita história e muitos lugares dignos de nota. É o caso da Cerca Militar mandada construir pelo Rei D. Dinis, classificada como Monumento Nacional e mais tarde como Zona Especial de Protecção; O Castelo do Redondo; o Miradouro do Cume da Serra d'Ossa; o Museu Regional do Vinho do Redondo e o Museu do Barro.

O Pelourinho e as Igrejas da Matriz, da Misericórdia, do Calvário e de Nossa Senhora da Saúde também merecem atenção.

Por alturas do verão, ganham vida as "Ruas Floridas", uma tradição do século XIX que os redondenses mantém viva até hoje, decorando as ruas da vila com milhares de flores feitas em papel colorido.

Mais afastado da vila temos o Convento de São Paulo, um edifício conventual construído em 1182, e atualmente convertido em hotel de luxo. Fica localizado entre a vila de Redondo e a cidade de Estremoz, na meia encosta da Serra d'Ossa.

Por este Convento passaram algumas figuras como D. Sebastião, D. João IV ou D. Catarina de Bragança e é aqui que está concentrada a maior coleção de azulejos do país. São perto de 54.000, sem contar com os diversos painéis que se encontram espalhados por todo o espaço do convento.

Vale a pena visitar a capela, o claustro, os jardins e, claro, parar para almoçar no restaurante onde podemos apreciar o melhor da cozinha alentejana.

O Redondo encontra-se envolvido pela imensa planície alentejana e pela deslumbrante beleza da Serra d'Ossa, por isso uma visita à vila é um bom pretexto para explorar também a imponente serra e toda a sua extraordinária beleza natural.

Conhecida na História como Monte-de-Vénus e Serra dos Hossenos ou dos Hossios, esta serra é um dos melhores locais para fazer caminhadas no Alentejo. Oferecendo todo o tipo de trilhos. Algumas são fáceis, outras mais exigentes. Entre os percursos disponíveis estão o percurso das Antas, o percurso do Freixo, o percurso do Montado-Freixo ou o percurso Eremitas da Serra d'Ossa.

O percurso a "Fantástica Serra d'Ossa", se for percorrido na integra, leva cerca de 7 horas a concluir. É uma caminhada difícil com altos e baixos que exige uma boa preparação física, mas as vistas do topo das colinas fazem valer a pena o cansaço. Recentemente abriram também Os Passadiços da Serra d'Ossa, um percurso de 7,7 quilómetros (ida e volta) que liga a Aldeia da Serra d'Ossa à Ermida de Nossa Senhora do Monte da Virgem e inclui 400 degraus.


No domingo de manhã depois do pequeno almoço saímos do hotel em direção a Estremoz. onde passeámos pelo Castelo e Pousada.

Estremoz - Zona do Castelo

Descemos até ao centro e depois de percorrer algumas ruas escolhemos almoçar junto ao lago do Gadanha no Restaurante Sabores das Maltezas, onde se come uma refeição ligeira com produtos de qualidade da região. Um prego no Bolo do Caco de carne Mertolenga, salada e batata frita, estava uma delícia.

Estremoz - Restaurante Sabores das Maltezas

De tarde tínhamos marcado uma visita guiada ao Museu Berardo do Azulejo de Estremoz. Este museu é recente, foi inaugurado em 2020.


Museu Berardo Estremoz

O Museu Berardo Estremoz é uma iniciativa conjunta da Coleção Berardo e da Câmara Municipal de Estremoz.

A “Cidade Branca” deve o seu epíteto ao célebre material da região, o mármore. A sua utilização perde-se no tempo, com presença documentada em eras anteriores aos romanos e imortalizada em numerosos monumentos. A alma do mármore ganha forma em inúmeras esculturas e matérias coloridas que dão vida a outra expressão artística única da região - o mosaico hidráulico, um composto único de pó de mármore com pigmentos de diversos minerais que enriquece os espaços centenários.

Este equipamento museológico apresenta aquela que é considerada a maior e mais importante coleção privada de azulejos de Portugal. Composta por conjuntos azulejares in situ, património integrado na Quinta e Palácio da Bacalhôa (Azeitão) e no Palácio Tocha (Estremoz), e por mais de quatro mil e quinhentos exemplares móveis datados do século XIII ao século XXI, a Coleção Berardo permite percorrer a secular História do Azulejo.

Instalado no histórico Palácio Tocha, ele próprio enriquecido por alguns magníficos conjuntos de azulejaria tardo-Barroca e Rococó, o Museu Berardo Estremoz conta as estórias e a História dos últimos oito séculos da azulejaria, através da exposição inaugural, intitulada “800 Anos de História do Azulejo”.

Estremoz - Museu Berardo

Nas primeiras salas do Museu, o visitante é recebido com um notável conjunto de azulejaria espanhola, que acompanha a evolução das técnicas de corda-seca, aresta e majólica, assim como o alicatado produzido em Sevilha e Granada durante os séculos XIV, XV e XVI. Na secção espanhola, merece especial destaque o teto com placas cerâmicas e a reconstrução de duas composições monumentais do século XVI, uma feita à maneira espanhola, e a outra à maneira portuguesa. Também com raízes no século XVI e oriundos de Sevilha e Talavera são os azulejos de padrão ponta de diamante.

Entrando no vastíssimo acervo de azulejaria portuguesa, o visitante poderá vislumbrar um dos paradigmas da criatividade dos nossos azulejadores de seiscentos, o painel de azulejos de padrão de “Marvila”, formado por módulos losangulares de 12x12 azulejos, o de maior dimensão concebido no Mundo. Nas salas do piso térreo, está exposto um vasto núcleo de padrões, alguns deles provenientes de igrejas onde a padronagem circunda frequentemente pequenos painéis com figuras de santos, cenas simbólicas ou narrativas religiosas. Um dos temas mais místicos é a representação de um ostensório, no painel identificado como Alegoria Eucarística, sustentado por anjos.

O acesso ao piso superior é feito por uma escadaria monumental em mármore de Estremoz, revestida a painéis azulejares de finais da primeira metade do século XVIII. A porta em frente à escadaria dá acesso à divisão mais nobre do Palácio, em virtude do valioso programa decorativo com painéis de azulejos historiados. A esta sala convencionou-se chamar “Sala das Batalhas”, pois nela se retratam vários episódios das vitórias dos Portugueses, imortalizados em painéis especificamente concebidos para este espaço e encomendados a reputadas oficinas de Lisboa do século XVIII.

Estremoz - Museu Berardo

A quase exclusividade dos temas religiosos da primeira metade do século XVII dá lugar à proliferação de temas profanos na segunda metade do século. Um dos assuntos da azulejaria portuguesa de seiscentos, representado no Museu Berardo Estremoz e considerado um verdadeiro tesouro, é o das macacarias, cenas satíricas maioritariamente protagonizadas por símios, encontrando semblante no Museu Nacional do Azulejo em Lisboa.

A partir da última década do século XVII, o azulejo português inicia um novo ciclo evolutivo, caracterizado pela pintura exclusivamente a azul. O espaço dispõe de vários painéis produzidos neste período.

No início do século XVIII, o pintor de azulejo assume o estatuto de artista, tal como aconteceu no século XVI, assinando com frequência os seus painéis. Aqui começa uma época áurea da azulejaria portuguesa - o Ciclo dos Mestres - sendo que, neste Museu, podem ser vistas obras de Manuel dos Santos, Mestre P.M.P., Teotónio dos Santos e Nicolau de Freitas, entre outros.

Inseridos no período chamado “Regresso à cor” estão os dois extraordinários painéis recortados Eleita como o Sol e Formosa como a Lua, datados do segundo quartel do século XVIII. Algumas das mais originais produções de azulejo português da centúria incluem as chamadas “Figuras de Convite”, das quais se contam vários exemplares em exposição, com destaque para a rara figura feminina que acolhe os visitantes no átrio de entrada do Museu. Ainda no Piso 1, poderá vislumbrar a “figura avulsa”, a Produção Holandesa e a Produção Coimbrã.

Estremoz - Museu Berardo

A alteração no gosto a partir de meados do século XVIII coincide com a afirmação de um novo estilo internacional, o Rococó. Algumas das mais interessantes manifestações de azulejaria deste período, com continuidade no seguinte, são os “registos”, largamente representados nesta exposição.

Já em estilo Neoclássico, apresenta-se uma peça com grande presença, o registo de Nossa Senhora da Conceição, São José com o Menino e São Marçal, datado de 1802. Dentro deste estilo, merece destaque o par de painéis historiados, provenientes do Mosteiro de Refóios do Lima e, da mesma origem, o par de espaldares de banco, todos datados do início do século XIX.

O Museu Berardo Estremoz tem ainda uma sala dedicada ao azulejo Pombalino, com uma variedade enorme de padrões, e prolonga-se no tempo percorrendo os estilos Revivalista e Nacionalista dos finais do século XIX e princípios do XX. Apresenta também uma grande mostra de padronagem industrial; percorre o Movimento Arte Nova e Arte Deco, culminando com os grandes artistas que marcaram a segunda metade do século XX e os que iniciaram o século XXI.

Estremoz - Museu Berardo

Depois desta visita regressámos a Lisboa, o fim de semana passou rápido, com sabor a pouco.


Alentejo

Desenho de Manuel Ribeiro de Pavia

Folheia-se o caderno e eis o sul
E o sul é a palavra. E a palavra
Desdobra-se
No espaço com suas letras de
Solstício e de solfejo
Além de ti
Além do Tejo.

Verás o rio e talvez o azul
Não o de Mallarmé: soma de branco e de vazio
Mas aquela grande linha onde o abstracto
Começa lentamente a ser o
Sul.

Outro é o tempo
Outra a medida.

Tão grande a página
Tão curta a escrita

Entre o achigã e a perdiz
Entre o chaparro e o choupo

Tanto país
E tão pouco

Solidão é companheira
E de senhor são seus modos
Rei do céu de todos
E de chão nenhum

À sombra de uma azinheira
Há sempre sombra para mais um

Na brancura da cal o traço azul
Alentejo é a última utopia

Todas as aves partem para o sul
Todas as aves: como a poesia.

Manuel Alegre (Alentejo e Ninguém)












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