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Festival entre Quintas

Este ano realizou-se pela primeira vez o "Festival entre Quintas", organizado pela Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras(OCCO), Quinta do Casal Branco (Almeirim) e Quinta Casa Cadaval(Muge).


Devido à situação actual os lugares para assistir a este festival foram muito limitados, tivemos sorte por nos inscrevermos cedo e termos a oportunidade de assistir a este excelente programa.

Ao participarmos neste Festival ajudámos os músicos, com um donativo, para recuperar os meses sem atividade nem remuneração devido à pandemia e consequente quarentena.


1º dia

Saímos de casa cedo com destino a Almeirim com a intenção de almoçar num dos restaurantes locais, fomos ao antigo restaurante "O Toucinho", não comemos a tradicional a "Sopa da Pedra", mas comemos borrego grelhado que estava óptimo.

Depois do bom almoço e como estava muito calor (38º) fomos até ao hotel "O Novo Príncipe" onde tínhamos a nossa reserva, para deixarmos a bagagem e descansar um pouco, tínhamos o 1º programa pelas 18:00 na Quinta do Casal Branco.

Almeirim - Quinta do Casal Branco

Chegámos ao local passava um pouco das 17:00. Antes do início passeámos um pouco pela quinta, já estava uma brisa muito agradável.

Em jeito de preâmbulo, ainda antes deste concerto, o público foi recebido no Festival Entre Quintas com uma fanfarra.

Almeirim - Quinta do Casal Branco

Este concerto inaugural realizou-se nos jardins da quinta e teve como tema a "Música das Américas", foi preenchido com música do filme West Side Story, tangos e ritmos da América Latina.


PROGRAMA

Leonard Bernstein - West Side Story
Sonny Kompanek - Killer Tango
Antonio Carlos Jobim - Garota de Ipanema
Lew Pollack - That’s a Plenty
Manuel Penélla - El Gato Montês
John Philip Sousa - Washington Post

Quinteto de Metais da OCCO
Carolina Alves - trompete
José Carrilho - trompete
Ana Duarte Abrantes - trompa
João Canelas - trombone
João Pedro Oliveira - tuba

Findo o concerto fomos brindados com uma prova de vinho e snacks para acompanhar, não esperávamos este miminho. Após este fim de tarde muito agradável regressámos ao hotel para descansar, mas antes fizemos um pequeno passeio pelo centro de Almeirim, estava uma noite fresca e agradável que convidava ao passeio.

Almeirim - Quinta do Casal Branco


2º dia

Depois do pequeno-almoço no hotel, servido com todas as regras de segurança que se impõem actualmente, fomos até Alpiarça para visitar o museu "Casa dos Patudos".

A casa foi construída entre 1905 e 1909, e o autor do projeto foi o arquiteto Raul Lino, por encomenda de José Relvas.

Relvas legou a quinta dos Patudos e praticamente todos os seus demais bens ao município de Alpiarça por testamento de 1929. Entre várias vontades que são referidas nesse testamento, uma delas é que a Casa fosse conservada como museu.

Após a morte de José Relvas, e de D. Eugénia Relvas, inicia-se um conflito judicial entre o administrador da Quinta dos Patudos e alguns herdeiros do casal. A casa permaneceu desabitada e sem qualquer utilização de 1951 até 1957, quando o tribunal decidiu a favor da Câmara Municipal de Alpiarça e é instituído o museu.

A 15 de maio de 1960 foi inaugurado o Museu sob a responsabilidade técnica da Dra. Maria de Lourdes Bartholo.

Na madrugada de 21 de fevereiro de 1988 a casa dos patudos foi vítima de roubo onde foram levadas cerca de seis dezenas de peças. Cerca de oito anos após o roubo foram recuperados vários quadros pela polícia italiana, perto de uma igreja na cidade de Milão, incluindo uma pintura de Rembrandt.

A visita foi guiada, mas sem possibilidade de tirar fotografias. Fantástica a colecção de arte que nos é mostrada. Desde faiança, pintura e mobiliário entre outras peças, valeu a pena a visita.

Alpiarça - Casa dos Patudos

Depois desta visita deslocámo-nos até Escaroupim, Salvaterra de Magos para almoçar no Restaurante Escaroupim (tem o nome da localidade) escolhemos enguias com arroz de tomate malandrinho e jaquinzinhos com arroz de feijão, este restaurante à beira do rio Tejo, que já conhecíamos e aconselhamos, serve comida tradicional muito bem confeccionada e em boa quantidade.

Escaroupim - Restaurante

Após o almoço fomos a Salvaterra de Magos à "Cabana dos Parodiantes", Café/Restaurante que foi buscar ao mítico programa radiofónico dos Parodiantes de Lisboa inspiração para o nome da casa, onde fomos comprar os apreciados "Barretes", uma doçaria regional.

Seguimos então para Muge para assistir ao recital na Quinta da Casa Cadaval.

A Quinta da Casa Cadaval pertence à família Álvares Pereira de Mello há quase quatro séculos. Está situada na margem esquerda do rio Tejo e, nas últimas cinco gerações, tem sido gerida por mulheres, sendo a actual administradora Teresa Schönborn-Wiesentheid (Condessa de Schönborn e Wiesentheid). Seu pai, o conde alemão Karl Schönborn-Wiesentheid, experiente em vitivinicultura, tornou a Casa Cadaval pioneira em práticas vitivinícolas, como a separação de castas em parcelas devidamente identificadas, algo que na sua época ainda era pouco comum. A propriedade, com pouco mais de cinco mil hectares, está dividida entre floresta, culturas de regadio, vinha, criação de cavalos e gado. A vinha ocupa quarenta e cinco hectares, com castas nacionais e internacionais.

O recital "Homenagem a Olga Cadaval" realizou-se na antiga adega da Quinta restaurada e preparada para eventos. Espaço muito acolhedor e agradável.

Este recital foi um gesto de homenagem a Olga Cadaval, uma figura importante no meio musical português como grande mecenas e apoiante de artistas de todas as nacionalidades.

Muge - Quinta da Casa Cadaval

O programa incluiu uma obra conjunta de compositores russos em honra à figura do milionário e filantropo russo, Mitrofan Belyayev. Fundador de um círculo com o seu nome com o objetivo de promover a música russa, organizava a cada sexta-feira, na sua mansão em S. Petersburgo, concertos de apresentação de obras musicais. Dava assim apoio financeiro e ajudava ainda na edição das suas partituras. Num destes concertos, e em celebração do seu dia de aniversário, quatro membros deste círculo – N. Rimsky-Korsakov, Al. Glazunov, A.Lyadov e Al.Borodin – apresentaram este quarteto de cordas escrito em conjunto, utilizando as letras do seu nome: o motivo musical principal é composto pelas três notas “B” (si), “Lá” e “F” (fá).
A esta obra, juntou-se um quarteto de outro grande mestre da música russa, S. Prokofiev.

Muge - Quinta da Casa Cadaval

Programa:

S. Prokofiev - Quarteto para cordas n.º 2 “Kabardinian” em Fá Maior, op. 92
Rimsky-Korsakov, Lyadov, Borodin, Glazunov - Quarteto para cordas “B-la-F"

Solistas da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras

Rui Cristão - violino
Lilit Khachatryan - violino
Jean Aroutiounian - viola
Tiago Ribeiro - violoncelo

Depois de terminar e como no dia anterior foi servida uma prova de vinhos e aperitivos a acompanhar.

Regressámos então a casa após um fim de semana musical e gastronómico muito agradável que não esperávamos que fosse tão interessante.

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