Continuando com as nossas visitas aos espaços museológicos da água visitámos
desta vez a Estação Elevatória a Vapor dosBarbadinhos, programa das Visitas Comentadas de Lisboa Cultural.
A primeira tentativa de musealização do
espólio da Companhia das Águas de Lisboa deu-se em 1919, através de uma
deliberação da Assembleia-Geral. Foi então criada uma divisão responsável pelos
trabalhos de desenho, arquivo, biblioteca e museu, onde esteve implícita a
obrigação de organizar e conservar uma variedade de peças com características
próprias capazes de construir um espaço expositivo.
No final dos anos 30, do século XX, iniciou-se o primeiro processo de
inventário com o objectivo de organizar todo um espólio recolhido ao longo de
duas décadas.
Mais tarde, em 1950, na sequência da demolição das caldeiras da antiga
Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, deu-se um processo de remodelação
do edifício onde foi construído um primeiro andar nos corpos sul e central,
projetado para acolher o arquivo corrente da empresa e instalações do
laboratório da empresa. Em simultâneo, foram dados os primeiros passos para a
elaboração de um espaço museológico.
Em 1987 foi finalmente instalada uma exposição permanente onde se destacava
a história da evolução do abastecimento de água à cidade de Lisboa, desde a
presença romana até hoje. Foi exposto um conjunto de peças pertencentes ao
acervo da Empresa.
Em 1990 o Museu da Água foi galardoado com o Prémio do Conselho da Europa,
sendo o único museu português detentor desta distinção, que destaca o
contributo para o entendimento e conhecimento da herança cultural europeia, bem
como para a consciencialização da sua identidade.
A primeira exposição permanente manteve-se até dezembro de 2013, altura em
que se iniciaram novas obras de requalificação do edifício da estação
elevatória a vapor dos Barbadinhos, com enfoque para as acessibilidades,
modernização e actualização do espaço expositivo e adequada musealização do
património industrial ali patente.
É missão do Museu da Água sensibilizar a comunidade para os valores da
defesa do património ambiental, bem como do património histórico e monumental
da EPAL, de forma a que este possa estar cada vez mais ao serviço da
comunidade.
Na perspectiva de captar novos públicos, o Museu desenvolve continuamente
programas específicos que visam desenvolver o interesse no domínio da água,
através de ações nas áreas da educação ambiental e patrimonial, tais como:
visitas orientadas para o público escolar, percursos temáticos para o público
em geral, projetos educativos em colaboração com estabelecimentos de ensino e
parcerias com as autarquias.

Lisboa - Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos (Museu da Água)

O crescimento populacional na cidade de Lisboa fez com que a água
abastecida pelo Aqueduto das Águas Livres se tornasse insuficiente. Como
resposta às carências existentes foi construído, entre 1871 e 1880, um novo
aqueduto abastecedor: o aqueduto do Alviela, preparado para transportar água
captada a 114 km a norte de Lisboa, originária das nascentes dos Olhos de Água
do rio Alviela.
Na cerca de um extinto convento franciscano, ocupado pela ordem religiosa
dos Barbadinhos Italianos, entre 1747 e 1834, foi instalado o reservatório
final da água transportada pelo aqueduto do Alviela, que foi denominado
Reservatório dos Barbadinhos.
Junto do Reservatório dos Barbadinhos foi construída uma estação elevatória
a vapor, destinada a bombear água do aqueduto do Alviela para a cidade de
Lisboa, que inaugurou a 3 de outubro de 1880.
O edifício desta estação elevatória era composto por três corpos: o
depósito de carvão, ou carvoaria, a zona das caldeiras e a zona das máquinas a
vapor.
A “Sala das Máquinas” localizava-se no piso superior da zona do edifício e
albergava as 4 máquinas a vapor, do fabricante francês E. Windsor & Fils
(Ruão, Normandia), adquiridas em 1876. No piso térreo encontrava-se a “Sala das
Bombas”, onde residiam as respectivas bombas. Num outro corpo estavam as cinco
caldeiras, na designada “Sala das Caldeiras”.
O terceiro corpo deste edifício serviu como depósito de carvão, para
alimentar as caldeiras e respectivas fornalhas.
O edifício contava ainda com uma chaminé no exterior, de 40 metros de
altura e 1,8 metros de diâmetro interior, para realizar a extracção do fumo da
queima do carvão. Tanto as caldeiras como a chaminé foram demolidas na década
de 50, do século XX, após vários anos de inatividade.
A Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos esteve em funcionamento entre
1880 e 1928. Actualmente preserva as antigas máquinas a vapor e respectivas
bombas, testemunhos enriquecedores da arqueologia industrial. Em 2010, o
edifício da estação elevatória a vapor foi classificada como CIP – Conjunto de
Interesse Público (Portaria n.º 117/2010, de 14 de dezembro).
O edifício acolhe a exposição permanente do Museu da Água, o Arquivo
Histórico da EPAL e uma sala multiusos, com condições para recepção de eventos,
exposições temporárias ou conferências. (fonte: Museu da Água da EPAL)

Lisboa - Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos (Museu da Água)

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