Nesta visita organizada pela Câmara Municipal de Lisboa no âmbito do programa
"Lisboa Cultural - Visitas Comentadas", visitámos o Museu
Arqueológico e Ruínas do Convento do Carmo.
O Convento do Carmo de Lisboa
é um antigo convento
da Ordem dos Carmelitas da Antiga Observância que se localiza no Largo do Carmo e foi erguido, sobranceiro
ao Rossio (Praça de D. Pedro IV), na colina
fronteira à do Castelo de São Jorge.
O conjunto, que já foi a principal igreja gótica da capital, e que pela sua grandeza e
monumentalidade concorria com a própria Sé de Lisboa, ficou em ruínas devido ao terramoto de 1755, não tendo sido reconstruído.
É possível que a ruína do Convento do Carmo e
do vizinho Convento da Trindade, aquando daquele terramoto, esteja na origem da
expressão popular: "cair o Carmo e a Trindade".

Lisboa - Largo do Carmo

História
O Convento do Carmo foi fundado por D. Nuno Álvares Pereira, o Condestável de Portugal,
em 1389. Foi ocupado, inicialmente, por frades carmelitas provindos do Convento de Nossa Senhora do Carmo de Moura, no Alentejo, chamados por D. Nuno para ingressar no
convento de Lisboa em 1392. Em 1404, D. Nuno doou os seus próprios bens ao
convento e, em 1423, ele mesmo ingressou no convento como religioso, período em
que as suas obras estariam concluídas. O Condestável de Portugal escolheu ainda
a Igreja do Convento como sua sepultura, embora, em 1953, tenha sido
transladado para a Igreja do Santo Condestável, em Campo
de Ourique, a si dedicada. D. Nuno Álvares Pereira foi canonizado
como São Nuno de Santa Maria pelo Papa Bento XVI a 26 de abril de 2009.
No dia 1 de novembro de 1755, o grande terramoto e o subsequente incêndio que vitimou a cidade
de Lisboa, destruíram boa parte da igreja e do convento, consumindo-lhe o
recheio. No reinado de D. Maria I de Portugal iniciou-se a reconstrução de uma ala do
convento, já em estilo neogótico, mas os trabalhos foram interrompidos em 1834
aquando da extinção das ordens religiosas.
Desse primeiro período reconstrutivo são
testemunho os pilares e os arcos das naves, verdadeiro testemunho de
arquitectura neogótica experimental, de cariz cenográfico.
Em meados do século XIX, imperando o gosto
romântico pelas ruínas e pelos antigos monumentos medievais, optou-se por não
continuar a reconstrução do conjunto, deixando o corpo das naves da igreja a
céu aberto e criando, assim, um idílico cenário de ruína, que tanto agradava
aos estetas oitocentistas e que ainda hoje encanta os visitantes.
A parte habitável do convento foi convertida em
instalações militares em 1836.

Lisboa - Ruínas do Convento do Carmo

Museu Arqueológico do Carmo
O corpo principal da igreja e o coro, cujo
telhado resistiu ao terramoto, foram requalificados e abrigam hoje um Museu
Arqueológico com uma pequena, mas interessante colecção. Do paleolítico
e neolítico português destacam-se as peças provenientes de
escavações de uma fortificação pré-histórica perto de Azambuja (3500
a.C. - 1500 a.C.).
O núcleo de túmulos góticos inclui o de D. Fernando Sanches (início do século XIV), decorado com cenas de caça ao javali, e o magnífico túmulo do rei D. Fernando I (1367-1383), transferido de um convento em Santarém para o museu. Destaca-se também uma estátua de um rei do século XIII (talvez D. Afonso Henriques), além de peças romanas, visigóticas e até duas múmias peruanas.

Lisboa - Museu Arqueológico do Carmo

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