O Concerto de Ano Novo é para nós mais do que um evento musical: é um ritual coletivo de otimismo. No Centro Cultural de Belém, CCB, a tradição renova-se com classe, boa música e a certeza de que o ano começa sempre melhor quando começa em compasso de valsa.
São as Valsas, as polcas e as danças para iniciar o ano de 2026 com elegância e energia. Entre Viena, Moscovo e a Península Ibérica, a música faz o brinde perfeito.
Antes do concerto, assistimos a uma conversa pré-concerto conduzida pelo musicólogo Rui Campos Leitão, uma oportunidade para contextualizar o programa e escutar histórias que ajudam a ouvir melhor a música que se segue.
O programa incluiu um toque muito português, com o Fandango, final da Suite Alentejana n.º 1 de Luís de Freitas Branco, lembrando-nos que o Ano Novo também se celebra com identidade e raízes.
A direção musical esteve a cargo de Bruno Borralhinho, à frente da Orquestra Metropolitana de Lisboa, garantindo rigor, brilho e aquele entusiasmo contagiante que se espera do primeiro concerto do ano.
A Torre Eiffel ainda não existia ali ao lado quando, em 1867, Johann Strauss Júnior e a sua orquestra tocaram a versão instrumental da valsa O Belo Danúbio Azul na Exposição Universal de Paris diante de corpos diplomáticos de todo o mundo. O sucesso foi de tal ordem que se tornou o «Rei da Valsa», uma autêntica estrela pop internacional. Era prenúncio da tradição que perdura nos nossos dias à escala planetária – o Concerto de Ano Novo.
A elegância das melodias intemporais de Strauss continua a transmitir a energia de que precisamos para enfrentar novos ciclos com vibrações positivas e coração cheio. Para brindar 2026, junta-se-lhe aqui glamour provindo dos dois extremos da Europa. De Moscovo, a exuberância de Khachaturian e a afetação romântica de Tchaikovsky. Da ensolarada Península Ibérica, a alegria vigorosa de Freitas Branco e o salero de Falla.
Valsas, polcas, aberturas de opereta e marchas da família Strauss: são estes os quatro elementos principais do Concerto de Ano Novo fundado em Viena em 1939. A tradição fez-se, e mantém-se — hoje expandida à escala global. Porém, desde então, o mundo transformou-se muito, e também a quinta-essência destes momentos. Sempre única, depende do espírito renovado e da esperança com que sempre nos reunimos à volta da música no romper de cada calendário. Por ser nosso, é único. Fonte: CCB
Programa:
Johann Strauss II (1825-1899) Valsa Rosas do Sul, op. 388
Johann Strauss II Polca rápida Na Caça, op. 373
Johann Strauss II Valsa Imperador, op. 437
Aram Khachaturian (1903-1978) Valsa da peça teatral Masquerade
Luís de Freitas Branco (1890-1955) Fandango, Finale da Suíte Alentejana n.º 1
Manuel de Falla (1876-1946) Farruca (Dança do Moleiro), do bailado O Chapéu de Três Bicos
Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840-1893) Valsa das Flores, do bailado O Quebra-Nozes
Johann Strauss II Valsa Sangue Vienense, op. 354
Johann Strauss II Polca rápida Tique-Taque, op. 365
Johann Strauss II No Belo Danúbio Azul
Ficha artística
Direção musical Bruno Borralhinho
Orquestra Metropolitana de Lisboa
Coprodução Centro Cultural de Belém, Metropolitana


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